Enquanto passa pelo tratamento, a destinação do
Uiraçu-falso está sendo definida pelo ICMBio que pretende deixá-lo sob
os cuidados de um criador conservacionista com experiência em
reprodução. “Mesmo fora da natureza este indivíduo poderá contribuir
para a conservação da espécie, tanto pelo conhecimento genético quanto
pela possibilidade de reprodução em cativeiro, pensando na geração
futura para projetos de reintrodução”, avalia Frederico Martins, chefe
do ICMBio na Floresta Nacional de Carajás.
Esta espécie mede entre 81 e 91cm, sendo as fêmeas
maiores que os machos. Apesar de ser muito parecido com o gavião-real, a
diferença com o Uiraçu-falso é percebida pela plumagem e penacho
diferenciados. Ambos estão incluídos no Programa de Conservação do
Gavião-real (PCGR), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (Inpa). Em dez anos de projeto foram mapeados mais de 60
ninhos de harpia e apenas seis de Uiraçu-falso.
“As pessoas por acharem que o animal pode se
alimentar de qualquer coisa e por ter total desconhecimento em relação
as necessidades reais das espécies, acabam causando malefícios a eles”,
relata André Mourão. Graças a parceria do ICMBio com o Parque
Zoobotânico Vale alguns conseguem ter uma segunda chance de sobreviver.
“Neste caso, a parceria é fundamental para garantir o pronto atendimento
e os cuidados necessários para animais retirados da natureza com uma
estrutura de muita qualidade, sendo possível a destinação de que estamos
falando”, avalia Martins. “Se não fosse o atendimento prestado pelo PZV
este animal provavelmente não resistiria”, completa.
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